O desembargador Dilermando Motta, do TJ (Tribunal de Justiça) do Rio
Grande do Norte, virou alvo de críticas nas redes sociais depois de se
envolver em uma discussão numa padaria de Natal e ser acusado de
humilhar um garçom.
O episódio ocorreu no último domingo (29), durante café da manhã na padaria Mercatto, na zona sul da capital potiguar. Vídeos publicados no YouTube por testemunhas mostram o momento em que o
desembargador discute com outro cliente, o empresário Alexandre Azevedo,
44.
Segundo Azevedo, que estava em uma mesa ao lado de Motta, o
desembargador ficou irritado porque o garçom não colocou gelo em seu
copo e gritou com o funcionário da padaria na frente dos demais
clientes.
"Não satisfeito com esse escândalo, este senhor puxou o garçom pelo
ombro e exigiu que lhe olhasse nos olhos e o tratasse como excelência, e
disse que deveria 'quebrar o copo em sua cara'", afirma Azevedo em nota
divulgada após o episódio.
Nesse momento, o empresário decidiu intervir em defesa do garçom. Nos
vídeos, ele aparece exaltado enquanto grita com o desembargador e o
chama de "safado" e "sem-vergonha". O magistrado revida e chama Azevedo
de "cabra safado" e "endemoniado".
O empresário disse à Folha que não sabia com quem estava brigando, mas que não se arrepende de sua atitude. "Eu fui tão selvagem quanto ele, mas precisei ser grosso para contê-lo. Ele ia de fato agredir fisicamente o garçom", afirmou à Folha.
Azevedo afirma que teme sofrer algum tipo de represália e que vai entrar
com uma representação contra o magistrado no CNJ (Conselho Nacional de
Justiça) por abuso de autoridade. "Queira ou não, é um desembargador, é um homem poderoso e eu tenho preocupação de sofrer perseguição dele", disse.
'NÃO HOUVE ABUSO', DIZ MAGISTRADO
Em nota divulgada pelo TJ-RN, o desembargador Dilermando Motta afirma
que não houve abuso de autoridade e nega ter humilhado o garçom. "A verdade é que um simples e moderado pedido de esclarecimentos de um
cliente a um garçom, que já havia sido solucionado, gerou uma reação de
um terceiro com ameaças, gritos e total desrespeito ao público
presente", afirma.
No texto, Motta afirma ainda que "sem nenhum propósito revanchista, as medidas judiciais cabíveis serão adotadas".
Durante a discussão, o desembargador acionou a Polícia Militar, que
deslocou quatro carros para o local. O magistrado também xingou os
policiais, chamando-os de "um bando de cagão", segundo o relato do
empresário, pois Motta queria que Azevedo fosse detido –o que não
ocorreu.
A assessoria de imprensa da padaria Mercatto divulgou nota em que
lamenta o episódio e afirma que a empresa "está oferecendo todo o
suporte necessário ao funcionário envolvido".
A reportagem tentou falar com o garçom, mas não conseguiu.
Fonte: Folha de São Paulo
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